quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Poema de adeus IV

 
Só quero te dizer,
meu amor, que se um dia
eu partisse,
te levaria na alma, a crer
que tu fostes o que eu mais queria
e perdi.
Mas perdi por não saber amar.
E este adeus há de ser
silenciado
pelo mal que te posso causar,
e causei em todo o conviver
nosso.
Mas, ainda que os meus passos
sempre me tornem distante
de ti,
serás o último dos abraços
que mentalizarei no instante
derradeiro.

E por quê tá demorando tanto morrer?

Poema de adeus III


 E também me encontro, após chorar,
pedindo à Deus que me conceda a morte
como quem consegue, num golpe de sorte,
ganhar milhões em uma loteria.
É tão horrível pedir para me acabar?
Eu sei que nada no mundo me reanimará,
que ninguém no mundo se importará
- e eu, de qualquer forma, morreria.
Peço apenas que se apresse esse dia.

Querido diário,

...E os dias passam como farsa.
Senti uma dor atroz, hoje. Dor que transpassou todas as esferas de mim. Dor anunciada e revirada do avesso.
Nunca estive tão próxima de um adeus.
Nunca.

Por muitos momentos, hoje, desejei que o ônibus se acidentasse ou que um carro desgovernado me atingisse.
Que me desse um mal súbito.
Que alguma coisa me matasse, sem que eu precisasse fazer nada para isso.

Por mais que eu queira morrer, não desejo o suicídio; não quero que ninguém me aponte como "mais uma suicida". Detestaria ser mais um dado nas estatísticas. O que eu queria era logo que chegasse a minha hora, e eu desaparecesse com a minha vida inútil, com minha futilidade.
Será tão difícil que Deus me conceda esse pedido?

Eu escrevo para que entenda, meu diário do desespero.
Só quero apelar pro pecado, se minhas orações falharem.
Se Deus não me conceder o desejo mais antigo e profundo da minha alma.

Poema de adeus II


 Eu não tenho mais lágrimas a chorar.
O que fiz do meu caminho? Não há nada a aproveitar
desta vida que ainda não acabou...
Flores, amores, tudo se dissecou
- não espero mais nada deste mundo,
só quero chegar logo ao ponto mais profundo
do poço.
Não tentes me ajudar, seu moço.
Quero aliciar-me urgentementte com ela,
quero que me arranque desta janela
(onde pacientmente esperei)
e me conceda o instante pelo qual sempre ansiei.
Quero senti-la me penetrar,
quero arder, quero gozar,
quero permanecer...
Quero ter na alma a sensação de morrer.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Querido diário.

Estou cheia. Uma puta que se arrepende, uma perdida que decidiu escapar em nome de sua dor secular, da nódoa que lançou para o mundo. Do que vale seguir vivendo? Do que vale acreditar nas pessoas, nas coisas e no futuro? Eu não acredito em mais nada. Eu não acredito em mais ninguém. Eu tenho pensado em sair pelo mundo, lutar pelo pouco que me resta de luta, de tantar ainda acreditar, sonhar.
Claro que sozinha.
Eu sempre acreditei que um dia a minha solidão se dissiparia, que as pessoas me salvariam de mim mesma, que eu um dia poderia ser salva.
Eu quis um dia gritar por socorro e ser ouvida. Juro que queria.
Mas, quem me ouviu?
Quem me abraçou?
Como se as pessoas pudessem, soubessem, entendessem, pudessem chegar ao mínimo desse âmago de dor que me acompanha.
Eu NUNCA fui feliz.
NUNCA
Sou apenas mais uma.
Uma puta iludida.
Uma ovelha desgarrada.
Uma criança que nunca cresceu.
Uma alienada, que não sabe nada da vida real.
Mas, na verdade, acima de tudo...
...Não sou nada. Ponto final.

Nem a menos esse diário será lembrado. Ele fará parte de uma pilha de mistérios que guardarei em minha vida. E um caminho sem volta.
Decidi encarar a minha dor de frente. Aceitá-la. Deixá-la se perder...
Enquanto ainda é tempo.

Boa noite, diário.

Poema de adeus I


Adeus, adeus! Direi à este inferno
que se encontra hoje por sobre os meus pés.
Vivam sua mediocridade, seus manés;
que eu vou resistir em minha desistência!
Desistirei por não ter mais a inocência
daqueles que ainda acham prazer em viver.
Adeus, adeus! Hei de dizer
quando me encontrar no tormento eterno.

Pois tormento maior não encontrei senão aqui na Terra.