Querido diário.
Estou cheia. Uma puta que se arrepende, uma perdida que decidiu escapar em nome de sua dor secular, da nódoa que lançou para o mundo. Do que vale seguir vivendo? Do que vale acreditar nas pessoas, nas coisas e no futuro? Eu não acredito em mais nada. Eu não acredito em mais ninguém. Eu tenho pensado em sair pelo mundo, lutar pelo pouco que me resta de luta, de tantar ainda acreditar, sonhar.
Claro que sozinha.
Eu sempre acreditei que um dia a minha solidão se dissiparia, que as pessoas me salvariam de mim mesma, que eu um dia poderia ser salva.
Eu quis um dia gritar por socorro e ser ouvida. Juro que queria.
Mas, quem me ouviu?
Quem me abraçou?
Como se as pessoas pudessem, soubessem, entendessem, pudessem chegar ao mínimo desse âmago de dor que me acompanha.
Eu NUNCA fui feliz.
NUNCA
Sou apenas mais uma.
Uma puta iludida.
Uma ovelha desgarrada.
Uma criança que nunca cresceu.
Uma alienada, que não sabe nada da vida real.
Mas, na verdade, acima de tudo...
...Não sou nada. Ponto final.
Nem a menos esse diário será lembrado. Ele fará parte de uma pilha de mistérios que guardarei em minha vida. E um caminho sem volta.
Decidi encarar a minha dor de frente. Aceitá-la. Deixá-la se perder...
Enquanto ainda é tempo.
Boa noite, diário.
Nenhum comentário:
Postar um comentário